MISSED-EN-ABÎME

MISSED-EN-ABÎME

Rogério Nuno Costa
Estreia em Lisboa
AUTOR(ES)
Rogério Nuno Costa
DATA
6 e 7 Novembro
19:00

workshop:
Que histórias se perdem no silêncio?
6 Novembro das 16:30 às 18:00
inscrições:
duplacena@duplacena.com
DURAÇÃO
75′
LOCAL
BILHETES
CLASSIFICAÇÃO
M/12
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Sinopse

Em 1917, Marcel Duchamp escreve “1917” num urinol virado ao contrário. Em 1919, desenha um bigode no mais importante retrato da história da arte, não o original (ele não é Banksy), nem sequer uma reprodução (a Pop não havia ainda sido inventada), antes um retrato que ele próprio pintou, assim copiando o original e, ao fazê-lo, quase repetindo Melville: I would prefer not to. Em 1921, Man Ray fotografa Duchamp enquanto Rrose Sélavy, fechando o ciclo, ou então abrindo o caminho para o desaparecimento do artista por trás do retrato. Um século depois, ainda não sabemos relacionar-nos, histórica ou artisticamente, com a radicalidade de tais gestos, ora descredibilizando-os (ou procurando-lhes novas autorias), ora atribuindo-lhes uma qualquer intransponibilidade ou irresolução histórica. MISSED-EN-ABÎME quer falar sobre um gesto (centenário) que pode ser lido enquanto destruição, revelação, ou simplesmente ostracismo auto-imposto, como se fosse impossível fazer seja o que for depois de se ter obliterado (quase) tudo. Duchamp terá passado décadas da sua vida a fazer nada, razão pela qual Enrique Vila-Matas lhe terá dedicado algumas notas no seu romance dos autores-do-não (“Bartleby & Cia.”, 2000): « Uma vez, em Paris, o artista Naum Gabo pergunta a Marcel Duchamp porque havia ele parado de pintar. “Mais que voulez-vous?”, responde Duchamp, levantando os braços no ar. “Je n’ai plus d’idées!” ». A partir deste impasse, e através da ritualização de um isolacionismo queer e sacrificial, MISSED-EN-ABÎME atreve-se a revisitar a negligência de Duchamp, não para lhe atribuir uma solução — « …parce qu’il n’y a pas de problème » —, antes para aceitar o insucesso, o afastamento, a invisibilidade e o esquecimento, quiçá o desaparecimento, não como rituais de vitimização ou opressão auto-infligida, mas enquanto gestos de resistência/sobrevivência.

O projeto, subintitulado “Psicobiografia de um Herói Perdedor (1917-1921)”, contempla um dispositivo tripartido (performance/instalação, livro e filme) pensado para o espaço do museu de arte contemporânea, assim concluindo um percurso investigativo em torno da tríade Arte-História-Solidão realizado por Rogério Nuno Costa em colaboração com artistas e pensadorxs de Portugal e da Finlândia.

 

Bio

Amares, 1978. Performer, investigador, professor e escritor, desenvolve trabalho artístico transdisciplinar. Vive e trabalha entre Portugal e a Finlândia. Apresenta espetáculos, performances, conferências e textos ensaísticos que exploram os campos do teatro, dança, artes visuais e literatura. Com formação académica em Comunicação Social, História da Arte Contemporânea e Cultura Contemporânea & Novas Tecnologias, desenvolve atualmente investigação em Visual Cultures, Curating and Contemporary Art na Aalto University (Finlândia) e no Grupo de Investigação em Estudos Performativos da Universidade do Minho. Como intérprete, co-criador e colaborador artístico, trabalhou com Mariana Tengner Barros, Patrícia Portela, Teatro Praga, Sónia Baptista, Lúcia Sigalho, Teresa Prima, Joclécio Azevedo, Susana Mendes Silva, entre outros. Colaborador assíduo da companhia Estrutura. Faz curadoria para projetos artísticos e educacionais. Professor Assistente Convidado na licenciatura em Teatro da Universidade do Minho (Guimarães). Leccionou na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha) e ArtEZ University of the Arts (Arnhem). Trabalha com vários artistas na condição de coordenador editorial e dramaturgo. Dirige o projeto documental do Ballet Contemporâneo do Norte, estrutura na qual é artista associado. Desde 1999, o seu trabalho já foi apresentado em Portugal, França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Croácia, Finlândia, Roménia e Canadá.

www.rogerionunocosta.com

Ficha Técnica

Criação, direção, edição e performance
Rogério Nuno Costa

Produção
Inês Carvalho Lemos

Pintura
Luís Lázaro Matos

Desenho de luz e direção técnica
Kristian Palmu

Arte sonora
Niko Skorpio

Dramaturgia de movimento
Pie Kär

Design gráfico
Jani Nummela

Workshop e apoio dramatúrgico
Colectivo FACA
(Andreia Coutinho e Maribel Sobreira)

Fotografia de cena
Miguel Refresco

Apoio ao vídeo
Mário Jerónimo Negrão

Olhar exterior
Susana Otero

Co-produção
Teatro Viriato
MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira

Residências
Rua das Gaivotas 6
Là-Bas Studio/Kaapelitehdas
Aalto University (School of Arts, Design and Architecture)
Cité Internationale Universitaire de Paris – Maison du Portugal
CAMPUS Paulo Cunha e Silva

Pré-apresentações
Museum of Impossible Forms (Helsínquia, 2018)
Maison du Portugal/Parfums de Lisbonne (Paris, 2021)

Estreia
Serralves Museu de Arte Contemporânea (Porto)

Digressão
Festival Contradança (Covilhã)
Festival Temps d’Images/Museu Coleção Berardo (Lisboa)
Teatro Viriato/Festival END (Viseu)
Chão de Oliva/Festival Periferias (Sintra)
Teatro-Cine de Torres Vedras
MUDAS (Madeira)

Projecto financiado pela República Portuguesa– Direção-Geral das Artes.

Workshop - Que histórias se perdem no silêncio?

Um workshop do Colectivo FACA (Andreia Coutinho e Maribel Mendes Sobreira) em diálogo com a performance/instalação “Missed-en-Abîme”, de Rogério Nuno Costa, e as obras que fazem parte do Museu Coleção Berardo. Apresentação conjunta (workshop e performance) no contexto do Festival Temps d’Images, em colaboração com o Serviço Educativo do Museu.

[entrada livre mediante inscrição]

Sinopse

Começaremos com a premissa do jogo, quem perde e quem ganha? Que dados são usados pelos jogadores? Para isso partiremos da ideia de Duchamp que “(…) a posteridade estabelece o seu veredicto final e, por vezes, reabilita artistas esquecidos”, para entendermos em conjunto como é que partes invisíveis se mostram, e que possibilidades podem surgir nesse desilenciar que se ligam à ideia de herói perdedor. Nesta perspectiva, olharemos para as obras de arte através do órgão do silêncio, que histórias não nos contam quando nos fixamos na camada superficial da sua visibilidade? O que significa a dicotomia visível-invisível do nosso herói perdedor? Neste workshop, falaremos dos percursos artísticos e de vida pouco mencionados pela História hegemónica que silencia, e obriga a silenciar, outros corpos e as suas produções inacabadas. Toda a história é centrada na construção de um génio e de um herói, mas quem perde quando os silêncios que foram inviabilizados se visibilizam? Venham jogar connosco ao herói perdedor!

 

classificação: M/12

inscrições: duplacena@duplacena.com

Colectivo FACA

O Colectivo FACA é um projeto de cidadania ativa constituído por Maribel Mendes Sobreira e Andreia Coutinho. Desenvolve trabalho com uma vertente curatorial e educativa com vários públicos, ampliando a perspetiva acerca do outro e a História, propondo discussões, exposições e visitas guiadas para propor o pensamento em torno das temáticas do feminismo, colonialismo, racismo, LGBTQI+ e não normatividade no contexto da cultura visual. Maribel Mendes Sobreira é arquiteta com pós-graduação em Património Urbano, mestre em Filosofia e doutoranda em Filosofia (FLUL) na área da Estética e Filosofia da Arte, com uma bolsa de investigação da FCT. É membro dos International Society for the Philosophy of Architecture e Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Coordena o Núcleo de estudos Simmelianos da Universidade de Lisboa. Tem publicado artigos na área da reflexão sobre a arquitetura, património urbano e teoria da arte. Concebe e orienta atividades de sensibilização para as artes e arquitetura, colaborando com o Museu Coleção Berardo desde 2007. Andreia Coutinho é mediadora educativa e ilustradora. Licenciada em Pintura pela FBAUL e Master of the Arts em Ilustração pela Kingston University (2015). Autora da zine “Hair” publicada pela SapataPress. Trabalha em museus desde 2010, em Portugal e no Reino Unido. Colabora com o Museu Coleção Berardo desde 2011.

Mais info: www.facebook.com/colectivofaca