TEMPS D'IMAGES 2012
20 SET > 20 DEZ
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
 
 
o cinema à volta de cinco artes, cinco artes à volta do cinema
CINEMATOGRAFIA _ MUSICALIDADE #2
   
 

Se nas edições anteriores a ideia de coreografia no cinema não se reduzia às comédias musicais ou às cenas dançadas, nem a teatralidade no cinema à representação do teatro ou à presença visível do teatro dentro do filme, trata-se agora de abordar, pela segunda vez, a musicalidade como ela se revela nos diferentes aspectos da mise en scène dos filmes. Isso leva-nos a abordar a musicalidade no cinema não apenas pela utilização que pode ser feita da música nos filmes mas também, e sobretudo, pelo tratamento cinematográfico do tempo, quer seja pela montagem, o movimento, o contraponto imagem-som, as rupturas cronológicas, o ritmo, o leitmotiv, a alternância das luzes, etc.
Desde os primórdios do cinema que os realizadores reivindicaram uma forma cinematográfica mais próxima da musicalidade do que da narrativa.
Foi nomeadamente o caso das avant-garde francesas, mas também das alemãs dos anos 20, ainda na época do cinema mudo, que procuravam libertar o cinema das reproduções teatrais ou literárias. Desconstrução da narrativa pela fragmentação, o estilhaçar do tempo, a procura de um ritmo fora de um contexto narrativo.
Mas a musicalidade no cinema não se esgota evidentemente com o fim das suas pesquisas formais. Com a chegada do cinema sonoro, a banda sonora, vai participar nisso muito fortemente: a relação entre ruídos e sons naturais, a textura das vozes, os silêncios…
Esta segunda edição dedicada às relações cinematografia-musicalidade abre pistas, daí a grande variedade de filmes propostos, desde os filmes do início do cinema sonoro - período tão rico no trabalho da relação do som e da imagem e tão pouco conhecido, aos filmes contemporâneos, passando por filmes de animação, por filmes conhecidos ou desconhecidos.
Esta programação procura, desde a sua primeira edição, levar o espectador a abordar os filmes - mesmo aqueles que já conhece - com um novo olhar (e um novo ouvido) e a redescobri-los graças à simples alteração do ponto de vista, desta vez através da musicalidade. Mas procura ainda propor filmes pouco vistos (e pouco conhecidos) em Portugal.
São assim apresentados em 2012 filmes de Sadao Yamanaka, Jean Grémillon, Otto Preminger, Jean Renois, Mani Kaul, P.P.Pasolini mas também filmes de George Kuchar, Dudley Murphy, Humphrey Jennings, Peter Nestler, Jean-Marie Straub, Pedro Costa, Rita Azevedo Gomes, etc.
Como acontece desde a sua primeira edição, é a relação entre os filmes escolhidos, o catálogo, constituído por textos em grande parte originais, e o encontro com os autores dos textos, realizadores, críticos, escritores, encenadores, actores, etc., o que constitui a base e a matéria que determina este programa.
Para além da equipa de coordenação que formamos com Ricardo Matos Cabo, participou activamente neste programa, Bernard Eisenschitz, Pierre Léon, Renaud Legrand, Cyril Neyrat, Stéfani de Loppinot, Marcos Uzal, Florent Guézenguar, Luís Miguel Oliveira, com quem temos vindo a criar um diálogo em torno das relações entre o cinema e as outras artes. Para além dos nomes já citados e que estarão connosco contamos ainda com a presença de outros cineastas e autores quer de textos originais para este catálogo ou que virão apresentar e dialogar sobre os filmes, como Alberto Seixas Santos, Carlos de Pontes Leça, Diogo Dória, que escreveram textos originais sobre alguns dos filmes deste programa.
Pierre-Marie Goulet e Teresa Garcia

 
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