TEMPS D'IMAGES 2011
27 OUT > 26 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
 
o cinema à volta de cinco artes, cinco artes à volta do cinema
CINEMATOGRAFIA _ MUSICALIDADE
   
 

Se nas edições anteriores a ideia de coreografia no cinema não se reduzia às comédias musicais ou às cenas dançadas, nem a teatralidade no cinema à representação do teatro ou á presença visível do teatro dentro do filme, trata-se agora de abordar a musicalidade como ela se revela nos diferentes aspectos da « mise en scène » dos filmes.
Isso leva-nos a abordar a musicalidade cinematográfica não apenas pela utilização que pode ser feita da música nos filmes mas também, e sobretudo, pelo tratamento cinematográfico do tempo, quer seja pela montagem, o movimento, o contraponto imagem-som, as rupturas cronológicas, o ritmo, o leitmotiv, a alternância das luzes, etc.
Desde os primórdios do cinema que os realizadores reinvindicaram uma forma cinematográfica mais próxima da musicalidade do que da narrativa. Foi nomeadamente o caso das « avant-garde » francesas, mas também das alemãs dos anos 20, ainda na época do cinema mudo, que procuravam libertar o cinema das reproduções teatrais ou literárias. Desconstrução da narrativa pela fragmentação, o estilhaçar do tempo, a procura de um ritmo fora de um contexto narrativo.
Mas a musicalidade no cinema não se esgota evidentemente com o fim das suas pesquisas formais. Com a chegada do cinema sonoro, a banda sonora, vai participar nisso muito fortemente: a relação entre ruídos e sons naturais, a textura das vozes, os silêncios…
Esta primeira edição dedicada ás relações cinematografia-musicalidade abre pistas que serão desenvolvidas posteriormente nas próximas edições, daí a grande variedade de filmes propostos, desde os filmes mudos aos filmes contemporâneos, passando por filmes de animação, por filmes conhecidos ou desconhecidos.
Esta programação procura, desde a sua primeira edição, levar o espectador a abordar os filmes - mesmo aqueles que já conhece - com um novo olhar (e um novo ouvido) e a redescobri-los graças à simples alteração do ponto de vista, desta vez através da musicalidade. Mas procura ainda dar a descobrir novas obras ou propor filmes pouco vistos (e pouco conhecidos) em Portugal.
São assim apresentados filmes de Dimitri Kirsanoff, Jean Grémillon, Gregory Markopoulos, Kenneth Anger, Viking Eggelin, mas também filmes de Humphrey Jennings, Peter Nestler, Jean-Marie Straub, Jean Epstein, ou ainda de Jacques Touneur, Boris Barnet, Max Ophuls, Satyajit Ray, em Portugal João Pedro Rodrigues, Paulo Rocha, Fernando Lopes, e muitos outros.
Como acontece desde a sua primeira edição, é a relação entre os filmes escolhidos, o catálogo, constituido por textos em grande parte originais, e o encontro com os autores dos textos, realizadores, críticos, escritores, encenadores, actores, músicoa etc., o que constitui a base e a matéria que determina este programa.
Para além da equipa de coordenação que formamos com Ricardo Matos Cabo, participou activamente neste programa, Bernard Eisenschitz, Cyril Neyrat, Stéfani de Loppinot, Marcos Uzal, Pierre Léon, Renaud Legrand, Luís Miguel Oliveira, com quem temos vindo a criar um diálogo em torno das relações entre o cinema e as outras artes. Para além dos nomes já citados e que estarão connosco contamos ainda com a presença de outros cineastas e autores que virão apresentar e dialogar sobre os filmes, como Regina Guimarães, João Pedro Rodrigues, Alberto Seixas Santos, Antonio Rodrigues, Diogo Dória, que escreveram textos originais sobre alguns dos filmes deste programa.
Pierre-Marie Goulet e Teresa Garcia