TEMPS D'IMAGES 2011
27 OUT > 26 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
 
carlos gomes e fran lopez reyes
UMA
 

“Para o existente, a distância é conhecimento, recordação e analogia.”
in “A velocidade de Libertação”, Paul Virilio

A Ultra Maratona Atlântica é uma prova de atletismo percorrida pela areia da praia, entre Melides e Tróia, num território de rara beleza natural, com um dos litorais menos intervencionados da Europa. Ao longo do Oceano Atlântico, a perder de vista, os atletas desafiam os seus próprios limites, aliando resistência física e psicológica, espírito de sacrifício e prazer de correr, para realizarem os 43 km que medem quantitativamente a distância que une aqueles dois pontos. Correr para escapar, já para o nómada das origens, uma forma de resistir.
Na primeira vez que ouvimos falar da UMA, um velho homem local confessou-nos que em 1987 se tinha inscrito na primeira edição da prova para “ver” em continuidade o território onde tinha nascido e onde sempre tinha trabalhado: nos arrozais, na pesca, no cultivo dos campos, nos pinhais e mais tarde na praia, quando montou o seu próprio negócio de bar de apoio aos veraneantes. Saltava de um trabalho para outro, de sítio para sítio, mas tinha a ideia que não dominava a terra onde vivia.
Esta instalação, em tríptico, um dos resultados do projecto artístico UMA, para além do filme/documentário a estrear em 2012, aborda o conceito de trajectividade tão caro a Paul Virilio: entre a percepção subjectiva do território e a objectividade da distância que o define, as coreografias do “ser em trajecto” - dos atletas, por nós, e nossas ao acompanhá-los, por terra, por mar e pelo ar - como forma de conferir essa natureza grandeza, “estabelecendo o vinculo que liga o espaço e o esforço, a duração e a extensão de uma fadiga física.”

Através da livre associação entre som e imagem e da disposição dos espectadores, sentados, formando um outro horizonte ao longo do horizonte da banda de imagem, pretende-se criar um dispositivo “territorial” capaz de evocar em cada um, e em público, esse “horizonte profundo da nossa memória dos lugares e, por conseguinte da nossa orientação no mundo”; esse tempo psicológico do ser trajectivo, entre o subjectivo e o objectivo; essa outra dimensão de ser “em movimento daqui para ali, de um para outro lugar”. UMA corrida com um tempo próprio. UMA interpretação de um território. UMA ecologia do conhecimento de estar no mundo.
Carlos Gomes e Fran Lopez Reyes

 
Realização: Carlos Gomes e Fran Lopez Reyes | Direcção de Fotografia: Miguel Robalo | Banda Sonora Original: Ricardo Webbens | Som: Raquel Jacinto | Produção Executiva: Bárbara Viseu | Uma co-produção MGC Arquitectos/Duplacena | Um projecto financiado pela DGArtes | Apoios: Câmara Municipal de Grândola e Casino de Tróia.