TEMPS D'IMAGES 2011
27 OUT > 26 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
 
vasco mendonça e sandro aguilar
PING
   
 

Ping, um dos mais fascinantes textos crepusculares de Samuel Beckett, é um objecto enigmático, que desafia mecanismos habituais de compreensão: setenta frases sem verbos e com poucas palavras; processos combinatórios de de(re)composição da linguagem; um narrador/consciência narrativa encarcerado num espaço de clausura nunca nomeado, nunca descrito, apenas medido: “one yard by two”. Som e espaço, mecanismo e consciência: são estes os referenciais de um mapa poético de navegação no território secreto e fortificado de Beckett. Jamais coordenadas. Por essa razão, a peça Ping – para recitante, 5 instrumentos e vídeo – não pretende ser uma chave de interpretação do texto Ping: a fixação de um significado seria a sabotagem do laborioso esforço de dissimulação de Beckett, e uma subversão da urgência e do risco do seu teatro. Em Ping, a revelação é necessariamente parcial – como a de uma sonda, que o progredir no interior de um organismo, revela alterações, perigos, falhas. Será porventura esta a ideia do texto Ping que mais agressivamente contamina a peça Ping: o processo de depuração da existência humana como um mecanismo de revelação poética.

 
Texto: Samuel Beckett | Música: Vasco Mendonça | Vídeo: Sandro Aguilar | Interpretação: Joana Manuel – Voz, ORCHESTRUTOPICA | Produção: VH Produções | Co-Produção DuplaCena / Temps d’Images