TEMPS D'IMAGES 2011
27 OUT > 26 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
 
sónia baptista
PEAUFINE
   
 

«O amor nunca se separou de uma certa clandestinidade, a que se chama intimidade. Achou-se protegido pela noção de vida privada expulso da luz do dia e empurrado para os recantos da noite, para as luzes penumbrentas… o amor num quarto…» – Raoul Vaneigem, ‘A Arte de Viver para a Geração Nova’

A história do encontro é contada através de vestígios, camadas. A acção já não faz a história que se constrói através de sedimentos, do sabor que fica dos corpos exangues sobre esteiras, meio cobertos por linho e sombra, corpos que depois de um acto de amor se mantêm rasteiros, clandestinos. Há memórias de texturas que se prendem à pele e ao papel onde se regista a acção, passando assim o encontro do domínio da experiência para o domínio da poética como se de um processo de alquimia se tratasse: a subtileza ou condensação dos sentidos que moram no corpo transferem-se para incorporeidade das palavras. O texto passa a ser um mapa da acção, assinalando os pontos de júbilo, os nós no percurso amoroso que ao desfazerem-se permitem que esse mapa se desdobre e expanda, podendo assim vir a cobrir toda a extensão do mundo que se duplica no corpo amado e no corpo amante. As palavras dizem-se evocando o encontro, são uma abertura momentânea para um momento que se encerra a si próprio no tempo, porque bastam-se a si mesmos dois corpos amantes, são o lugar essencial da independência e do desprendimento em relação ao mundo, o toque primeiro é o ritual de passagem e iniciação num novo caminho, uma nova vida em que só as palavras escolhidas ditam as leis.

 
direcção artística, textos e interpretação: Sónia Baptista | vídeo: Helena Nogueira Silva, Sónia Baptista | desenhos e apoio à dramaturgia: Helena Nogueira Silva | produção: Alvo(neutro)