TEMPS D'IMAGES 2011
27 OUT > 26 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
       
 
 
carlos pimenta
A VOZ HUMANA
   
 

Dantes as pessoas viam-se. Podíamos perder a cabeça, esquecer as promessas feitas, arriscar o impossível, convencer aqueles que adorávamos através de um beijo ou de um abraço. Um olhar podia mudar tudo. Mas, com este aparelho, o que acabou, acabou.
Jean Cocteau

Do seu quarto em desordem uma mulher telefona ao amante que acaba de a abandonar. O telefone chama uma voz sem corpo, sem local, mas plena de presença sonora. Desde logo uma voz apanhada numa rede de comunicações, sujeita a interferências, linhas cruzadas e terminações abruptas. O que procuramos encontrar na voz? Uma ligação directa ao humano?! No entanto essa ligação perde-se cada vez mais no advento da tecnologia e o homem vai-se transformando num simulacro inorgânico de si próprio. A voz já não nos devolve a imagem de um rosto. Transformada em sinais electroacústico tornou-se disfarce da realidade. Ainda seremos capazes de reconstruir o corpo ignorando esta outra dimensão do real?
Carlos Pimenta e Raquel Castro

 
Texto: Jean Cocteau | Tradução: Alexandra Moreira da Silva | Concepção e encenação: Carlos Pimenta | Concepção, som e Imagem: Raquel Castro | Figurinos: Bernardo Monteiro | Música Original: Dead Combo | Desenho de luz: José Álvaro Correia | Intérprete: Emília Silvestre |
Uma Co-Produção: Ensemble | São Luíz Teatro Municipal | Festival Temps d’Images