TEMPS D'IMAGES 2009
29 OUT > 22 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
 
   
 
 
gustavo ciríaco
NADA. VAMOS VER.
   

 

Este é um trabalho meticuloso, um artesanato de representação performativa que assenta no domínio dos tempos cénicos e das tensões dramáticas. Em “Nada. Vamos ver.” as convenções de um espectáculo de dança são desafiadas através do diálogo directo estabelecido com o espectador, através de um registo de actuação naturalista cuja força reside na genuinidade e no despojamento pessoal dos intérpretes. Instala-se então uma ambiência algures situada entre a ficção e a realidade em que o processo criativo é partilhado com o público em jeito de histórias contadas. A oficina do artista sobe à cena, como se se tratasse de uma visita guiada pela síntese daquilo que é especificamente teatral. Sem excessos nem efeitos, são mínimos os recursos que proporcionam uma experiência que se promete intensa, um encontro essencial. A arte é meio, é pretexto. Não se lhe deve impor demasiadas verdades.

Algumas histórias. A do público. A do performer. Um ponto de encontro: a sala de espectáculo. Um espaço de expectação, de convivência, de evasão. Um espaço de códigos compartilhados. Nada. Vamos ver começou com uma questão: como tornar visível aquilo que está presente e constitui a situação de um espectáculo de dança em um teatro. Como explicitar o óbvio, o já acordado, porém já esquecido na relação público-performer?
Em um desenho chamado Nada. Ello dirá. (Nada. Vocês verão.), onde um cadáver escreve a palavra “Nada” em uma pedra, o pintor espanhol Goya faz uma alusão à expectativa diante da morte, da evasão do mundo material e da ausência de divino, de um nada ao qual todos estaríamos destinados. Um mundo sem Deus. Sem além.
De modo estranhamente similar, o lugar físico do teatro está associado a uma série de expectativas que produzem um certo além, um certo transpor de realidade, de evasão mesmo, onde há a criação de dois tempos, dois campos aparentemente separados, na claridade da cena e na escuridão da plateia.
Gustavo Ciríaco

 
Concepção e Coreografia – Gustavo Ciríaco | Criação e Performance – Francini Barros, Gustavo Ciríaco, Ignacio Aldunate, Milena Codeço, Leo Nabuco | Assistência de Direcção e Colaboração Artística – Flavia Meireles | Bailarina Convidada – Dyonne Boy | Vídeos – Leo Nabuco, Ignacio Aldunate e Gustavo Ciríaco
Bailarino Virtual – Leo Nabuco e Gustavo Ciríaco | Banda Sonora – Rodrigo Marçal | Desenho de Luz – José Geraldo Furtado | Consultor Cenográfico – Joelson Gusson | Professores de Dança – Flavia Meirelles, Maria Alice Poppe, Renata Reiheimmer e Joelson Gusson | Administração e Produção Executiva – Fomenta Produções – Carla Mullulo e João Braune | Co-Produção – Culturgest e SESC São Paulo | Residência – Centre International d’Accueil et d’Éxchanges Des Récollets, com apoio do Centre National de la Danse – CND (accueil studio) e do Mica Danses – Paris |Teatro Gláucio Gil, parte do projecto de ocupação Orquestra Improviso, com apoio do Panorama de Dança – Rio de Janeiro | Apoio para Pesquisa – Prémio Klauss Vianna, Funarte
Nada. Vamos ver. estreou no SESC, São Paulo, em Fevereiro de 2009