TEMPS D'IMAGES 2009
29 OUT > 22 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
 
   
 
 
luciana fina
HORS SUJET PORTRAIT
   
 

Com um título que aparenta uma antítese, a nova instalação de Luciana Fina, HORS SUJET portrait, questiona o poder de representação do retrato e vem juntar-se à Galeria de Retratos Filmados que a autora inaugurou em 2003 com o tríptico CHANT portraits, uma das primeiras apostas do Festival Temps d’Images para a secção Estaleiros.
Nesta exposição, apresentada no interdisciplinar e renovado Espaço Alkantara, poderão ver mais uma das instalações da Galeria de Retratos de Luciana Fina, VUE portraits (2006), resultado de uma anterior colaboração com Danças na Cidade. Em complemento, têm lugar durante os primeiros dez dias da exposição, num novo espaço do mesmo bairro de Santos, #24-Rentagallery, projecções contínuas de PORTRAIRE, notas nas margens de um retrato, caderno de notas da autora sobre a escolha do retrato e a nova criação.

HORS SUJET portrait 2009, 3 DVD, cor, som
Elle est lá, dans une exactitude provocante, elle n’est rien, elle est l’horreur sacrée de sa présence…
(G. Bataille, Manet 1955)
Chaque être crie en silence pour être lu autrement.
(Simone Weil)
Com a modelo desta nova composição de retratos, voltámos a olhar para as diversas obras de Edouard Manet em que Victorine Meurent posou para o pintor. O irritante enigma do olhar da Olympia, a nua e fria Olympia, “monstro do amor banal”… Grisette ou cortesã? Viva ou morta? A mulher sentada no almoço na relva… Victorine cortesã, Victorine cantora de rua, mulher com o papagaio, criança com o pífaro, Victorine con la espada, Victorine na estação de comboio, o retrato de Victorine....
Inaugurada este ano no Stenersen Museum de Oslo, no âmbito da exposição internacional “Off the Beaten Path, Violence Women and Art”, HORS SUJET portrait surgiu na sequência de um workshop de cinema para mulheres com histórias de vida ligadas à prostituição.

VUE portraits 2006, 3 DVD, cor, som
Sabes o que é que eu vejo da janela da minha casa? Sacos de carvão, muitos sacos de carvão…
(Sérgio, Maputo)
De manhã vê-se um prédio, enorme, monstruoso, exactamente igual ao meu…
(André, New York)
A imagem de uma janela evocada pelos performers retratados, sobrepõe-se à imagem dos seus rostos. As “janelas” foram filmadas em Lisboa, durante o encontro “Dançar o que é nosso”, com performers oriundos de diversos países do mundo. Série de retratos de duração variável em composição de múltiplas projecções.

PORTRAIRE notas nas margens de um retrato 2009, 22 min, cor, som
“No decorrer da criação da instalação HORS SUJET portrait, os meus apontamentos de trabalho assumiram a forma de um caderno de imagens: PORTRAIRE notas nas margens de um retrato é um momento de reflexão que gostaria de partilhar convosco.”
O rosto do outro não espera a intencionalidade do conhecimento, a visão totalizadora, a compreensão do sentido da história, para ser significante. Procuro o Tempo do acontecer de um face a face, um entre-nous alheio à intenção ou ao poder de representação do outro, que se contrapõe às formas de violência e de aniquilamento da alteridade.

 

Acompanhamento curatorial - Luísa Santos | Acompanhamento design do espaço - Moritz Elbert | Som - Miguel Cervini | Direcção técnica - Ricardo Madeira | Co-Produção – DuplaCena/Festival Temps d'Images | Artworks for Change | Residência de Criação – Espaço Alkantara | Apoio – Museu Colecção Berardo, #24- Rentagallery, Atelier Re.Al
Projecto Financiado pela Direcção Geral das Artes/Ministério da Cultura
Agradecimentos: Inês Oliveira, Randy Rosenberg, Catarina Saraiva, Paula Varanda, Bruno de Almeida, Mariana Lemos, Sofia Neuparth, Carlos Ramos, Sofia Campos.