Boas Garotas (1ª Temporada de Dança Videobrasil)

Clarissa Sacchelli

10

December
AUTOR(ES)
  • Clarissa Sacchelli
PERFORMANCE E VÍDEO
  • Performance
  • 1 e 2 de Novembro
  • 21h30
  • Vídeo
  • 3 de Novembro
  • 14h00 às 19h00
DURAÇÃO
  • 60’ (aprox.)
BILHETES
CLASSIFICAÇÃO
  • M/12
PARTILHAR

Sinopse

Um conjunto de trabalhos em vídeo – todos parte do Acervo Histórico Videobrasil – foi o ponto de partida para a criação de BOAS GAROTAS. Este recorte – seleccionado e organizado pela via do magnetismo, poderia dizer – operou não somente como uma referência conceptual, mas também como um material bruto constituído de imagens, sons e textos que foram remixados, re-interpretados e/ou re-encenados nesta peça.
A relação com estes vídeos indicou aproximações estreitas entre a acção de editar e coreografar e também apontou para lógicas que podem ser construídas a partir do olhar de quem assiste, sugerindo questões acerca dos modos de produção e recepção de um vídeo e de uma performance. O investimento nestas questões e também em matérias e imagens pontualmente propostas pelos vídeos seleccionados, orientaram BOAS GAROTAS para a necessidade de explorar o erotismo como modo de desprivatizar, excitar e interrogar as relações entre ver e ser visto.

Sinopses dos vídeos apresentados

1. DEEP PRESSURE
1984, 3’28” | Alicia Nogueira (Brazil, 1960)
Criando um aquário como cenário pela sobreposição da imagem de peixes a um fundo marítimo, uma mulher, que nele aparece imersa, interpreta um discurso cujo som teve seu timbre modificado e tornado grave a ponto de tornar seu significado ininteligível. Dançarinas, um cachorro, uma televisão e uma mulher nua no canto do cenário conferem uma atmosfera surreal à situação que, aliada à impossibilidade de compreensão do discurso da mulher, alude de modo irreverente à dificuldade da realização feminina no campo profissional.

2. ESCENARIOS II
2014, 15’ (loop) | Maya Watanabe (Peru, 1983)
Em espanhol, escenario significa tanto o lugar em que se desenvolvem os acontecimentos (cena) como a parte do teatro onde a cena ocorre (palco). Não há sinal de presença humana na obra senão pela constatação de que algo aconteceu — um carro abandonado pega fogo — e pelo modo como Watanabe coloca o próprio espectador no lugar de testemunha daquilo a que assiste. Em um ciclo de quatro voltas, uma panorâmica 360° mostra cenas que aludem a memórias pessoais da artista e também a acontecimentos da história recente do Peru, seu país de origem. Watanabe investiga, assim, onde começam as histórias individuais e onde elas se encontram com as narrativas colectivas.

3. HOMENAGEM A GEORGE SEGAL
1985, 3’32” (loop)| Lenora de Barros (Brazil, 1953) e Walter Silveira (Brazil, 1955)
Homenagem a George Segal, primeiramente uma foto-performance realizada em 1975, transformou-se, dez anos depois, na primeira video-performance de Lenora, inspirada nas figuras solitárias e patéticas do escultor norte-americano. De frente para a câmara, a artista escova os dentes energicamente ao som de She Loves You dos Beatles. A espuma gradativamente transborda até cobrir completamente seu rosto e cabeça, conferindo-lhe um aspecto semelhante ao das insólitas figuras de gesso de Segal.

4. JERK OFF 2 – PROJETO DÍZIMA PERIÓDICA
2007, 1’47” (loop) | Alice Miceli (Brazil, 1980)
Prêmio Aquisição - Novos Vetores - 16º Videobrasil Integrante da série Dízima periódica, o vídeo parte do princípio matemático para visualizar uma situação intrinsecamente ligada ao limite: o processo do gozo. Homenagem ao clássico filme de Andy Warhol Blow Job.

5. LA PROFESORA
1993, 9’04” – spoke in English | Gérman Bobe (Chile, 1963)
Uma caricatura de uma professora que ensina inglês a falantes não nativos. Os seus maneirismos, seu sotaque, o conteúdo de seu discurso — todos são absurdos, à maneira dos personagens de Eugène Ionesco. As imagens da professora se intercalam com colagens, muitas vezes oriundas de outras obras de Bobe, repletas de elementos da cultura europeia presentes em cenas sensuais, símbolos religiosos, obras de arte e música erudita. Com seu humor irónico, La Profesora enfatiza o absurdo de ensinar inglês em um país onde muitos não conseguem ler sua língua nativa. A prevalência da língua inglesa nas sociedades pós e neocoloniais é, assim, questionada, tanto política como socialmente.

6. RAPTURE (SILENT ANTHEM)
2009, 10’17” | Angelica Mesiti (Australia, 1976)
Uma câmara de movimento extremamente lento mostra closes em alta definição de rostos de adolescentes que estão na primeira fileira de um festival de rock. Sem saber que estão sob a mira de uma câmara oculta debaixo do palco, e diante de algo que não vemos, os jovens exibem expressões de intenso fervor emocional, que remetem a imagens icónicas de êxtase religioso. Rapture (arrebatamento) opera pesquisando a fonte da catarse grupal e refletindo sobre a espiritualidade e a presença de experiências rituais na contemporaneidade

7. SAMBA #2
2014, 3’04” (loop) | Chameckilerner (Brazil, 1992)
Samba #2 analisa três imagens essenciais na cultura brasileira: o Carnaval, o samba e a bunda. Ao expor micro-movimentos imperceptíveis normalmente, revela imagens novas de algo que julgamos conhecer. Abordando a cultura a partir de seu elemento mais corpóreo, o vídeo desconstrói a imagem habitual do corpo feminino e invoca questões-chave brasileiras centradas no corpo, como sexualidade, violência e beleza.

8. TALK ABOUT BODY
2013, 3’49” – w/ subtitles | Hui Tao (China, 1987)
O artista se apropria da linguagem dos programas de televisão chineses para discutir a coexistência de diferentes tempos e culturas, do ambiente urbano e da vida rural, de tradições e progressos que caducam e se reinventam. Sentado em sua cama, trajado como uma mulher islâmica, ele se descreve. O vídeo discute, com subtileza e força, a aleatoriedade da ideia de pertencimento e o alheamento subjectivo intrínseco ao conceito de identidade

9. THE OGRE
2003, 1’19” | Ip Yuk-Yiu (Hong Kong, 1974)
Fragmentos de imagens de filmes pornográficos antigos são apropriados por meio de espelhamento conferindo um aspecto caleidoscópico a este vídeo experimental. A multiplicação dos fragmentos de imagem em movimento, assim como em um caleidoscópio, cria novas formas, evidenciando ao mesmo tempo a dimensão de pura plasticidade e auto-erotismo das imagens. O rosto, a boca, as mãos e demais partes do corpo passam a figurar apenas como formas vermelhas e rosadas que se redobram sobre si mesmas. Melodias aceleradas e de notas curtas interpretadas por um conjunto de cordas acompanham o ritmo de mudança das formas visuais, levando-nos a uma viagem plástica e onírica pelo sexo.

Ficha Técnica

De
Clarissa Sacchelli

Em criação com
Carolina Callegaro
Luisa Puterman
Renan Marcondes

Coreografia e performance
Carolina Callegaro
Clarissa Sacchelli

Pensamento visual
Renan Marcondes

Trilha sonora
Luisa Puterman

Voz (trilha sonora)
Hwa Young Lee Lucy
Han Ah Lum

Operação de legendas e som
Josefa Pereira

Execução cenário
Zang & Zagatti

Agradecimentos
Associação de Dança Tradicional Coreana
Casa Líquida
Julia Feldens
Flora Kountouriotis
Anna Turra
Artur Kon

Obras do Acervo Histórico Videobrasil usadas como referência: Jerk Off 2 – Projeto Dízima Periódica, de Alice Miceli; Escenarios II, de Maya Watanabe; Rapture (Silent Anthem), de Angelica Mesiti; Female Sensibility, de Lynda Benglis; Homenagem a George Segal, de Lenora de Barros e Walter Silveira; Deep Pressure, de Alicia Nogueira; Samba #2, de Chameckilerner; La Professora, de Gérman Bobe; The Ogre, de Ip Yuk-Yiu; Talk about body, de Hui Tao.

Obra comissionada pela Associação Cultural Videobrasil.

1ª Temporada de Dança Videobrasil
Organização
Associação Cultural Videobrasil e Estúdio Baile (Itinerância)

Concepção e coordenação
Thereza Farkas

Consultoria e curadoria
Carolina Mendonça e Marcos Gallon

Artista convidada
Clarissa Sacchelli

Estúdio Baile
Associação Cultural Videobrasil

Clarissa Sacchelli

Clarissa Sacchelli é uma coreógrafa e bailarina baseada em São Paulo, Brasil. Nos últimos anos tem desenvolvido seus projectos, movendo-se entre peças coreográficas, performances e publicações, enquanto também colabora em trabalhos de outros artistas. Criou: Sem título (2011), Performance (2012), Isso é uma habitação (2013), Isso não é um espetáculo (2013, em parceria com Cláudia Müller), Índice para Escuta (2014, em parceria com Rodrigo Andreolli), Boas Garotas (2017) e A Coreógrafa (2017). Foi artista seleccionada pelo programa Rumos Dança 2012-2014 (Itaú Cultural) e recentemente artista selecionada para la Temporada de Dança Videobrasil. Como performer, colaborou em projectos de João dos Santos Martins, Eszter Salamon, Tino Sehgal, Cláudia Müller, Bruno Levorin e William Pope L.
1
Novembro
Performance
Boas Garotas (1ª Temporada de Dança Videobrasil)
Clarissa Sacchelli
21h30, Appleton
2
Novembro
Performance
Boas Garotas (1ª Temporada de Dança Videobrasil)
Clarissa Sacchelli
21h30, Appleton
3
Novembro
Vídeo
Boas Garotas (1ª Temporada de Dança Videobrasil)
Clarissa Sacchelli
14h00 às 19h00, Appleton
Entrada livre