«Não há diferença entre a morte e a sexualidade. Elas não passam de momentos agudos de uma festa que a natureza celebra com a multidão inesgotável dos seres, e ambas têm o sentido do desperdício ilimitado que a natureza leva a cabo contra o desejo de durar que é próprio de cada ser.»
*Georges Bataille*
Nesta performance experimental de João Samões, dois intérpretes percorrem e exploram a superfície e as texturas dos ossos de um modelo anatómico de esqueleto humano através de pequenos microfones de contacto, enquanto um sonoplasta manipula e esculpe electronicamente o som em tempo real. Blackout é uma obra híbrida sob a forma de performance sonora e refere-se a um trabalho que lida com concepções criativas que buscam integrar noções de som, tempo, espaço, imagem e movimento. Centra-se num objecto manipulado como gerador de som, ressonância e sentido, e num entendimento do corpo como uma inesperada montagem de símbolos e códigos. Esta performance sonora foi concebida em Novembro de 2007 a partir de um fragmento da peça «O Labirinto a Morte e o Público», e tem como referência simbólica e antropológica determinados rituais arcaicos em que a redução e a visualização ao estado de esqueleto através do pensamento e da meditação tem um valor ascético e metafísico, onde a Vida regressa à sua primordial condição de ilusão efémera em perpétua transformação.
Concepção e Espaço Cénico João Samões Convidado para Design de Som e processamento em tempo real Vítor Joaquim Interpretação João Samões/João Galante Vídeo João Dias/João Samões Produção executiva casaBranca Co-Produção Dupla Cena/Temps d’Images 2008, Culturgest Apoio TeDance, Bazar do Vídeo
*Blackout é uma performance desenvolvida a partir da peça O Labirinto a Morte e o Público, um projecto financiado pela Direcção Geral das Artes/ Ministério da Cultura em 2007, com produção de O Rumo do Fumo na altura da sua criação.
*Vídeo a partir de imagens de Helena Inverno da peça O Labirinto a Morte e o Público captadas em Julho de 2007 no CCB.