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 “O Corpo é uma Projecção”

O ciclo “O Corpo é uma Projecção”, prossegue na abertura de um espaço de contacto entre as práticas performativas actuais e os seus antecedentes históricos. O seu programa é composto por duas sessões dedicadas ao artista americano Robert Morris com uma mesa-redonda no final, uma outra sessão programada pelo filósofo e crítico de arte Jacinto Lageira, e um seminário de dois dias, centrado nas práticas curatoriais no âmbito da Performance Art, a ter lugar em Fevereiro, em datas a anunciar. Este será dirigido por RoseLee Goldberg, directora do centro “Performa”, em Nova Iorque, e autora de livros seminais para a história da Performance Art.

Para o artista norte-americano Robert Morris, a arte é um trabalho do corpo. Embora mais conhecido no âmbito das artes plásticas pela sua ligação à Arte Minimal na década de 60, ou à Process Art dos anos 70, Morris tem no seu contacto com a dança pós-moderna americana, um momento crucial para o desenvolvimento de toda a sua obra. “Four Pieces by Morris” (1993), exibido na primeira sessão deste ciclo, é um filme para o qual foram reconstituídas quatro danças inicialmente apresentadas na década de 60. A exibição deste filme será, para uns, a introdução à obra deste artista e, para outros, um momento para reconsiderar a recepção do seu trabalho.

Como estas peças que foram concebidas há 4 décadas, mediadas por um filme com pouco mais de 10 anos, teremos a oportunidade de acompanhar Morris na utilização crítica da história da arte - dos seus objectos, imagens e discursos - entrando também na discussão actual acerca da reposição e do arquivo das obras performativas.

No segundo dia assistiremos a um diálogo de imagens entre Morris e a artista Lynda Benglis, com os vídeos “Exchange” e “Mumble”. Feitos alguns anos depois das danças que deram origem a “Four Pieces by Morris”, retomam e transformam imagens e assuntos então abordados, significativos tanto para a obra de Morris como para o aparecimento do vídeo como prática artística. No final desta sessão, haverá lugar a uma mesa redonda onde, partindo dos filmes visionados, se falará da produção escrita e fílmica de Robert Morris, e da performatividade no campo das artes plásticas.
Liliana Coutinho

 

Four Pieces by Morris
Babette Mangolte
1993, 16mm,p/b, som, 94min.
Cortesia de Babette Mangolte

Mumble
Lynda Benglis
1972, vídeo, p/b, som, 20 min.    
Distribuição Video Data Bank, Nova Iorque

Exchange         
Robert Morris
1973, vídeo, p/b, som, 36 min.
Distribuição Video Data Bank, Nova Iorque

Mesa Redonda
Participantes:
Delfim Sardo - Director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém.
Jacinto Lageira -  Filósofo. Crítico de Arte. Ensina Estética e História de Arte na Université de Paris-I/Panthéon Sorbonne, Paris.
Phillippe Alain-Michaud - “Film Curator” do Musée National d'Art Moderne - Centre Georges Pompidou, Paris.
Moderadora:
Liliana Coutinho - Mestre em Estudos Curatoriais, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Piéce Touchèe
Martin Arnold
1989, 16mm, p/b, som, 16 min.  Exibido em DVD.

Why do things get in a muddle
Gary Hill
1984, vídeo, cor, som, 33 min.

Waterproof
Daniel Larrieu
1986, vídeo, cor, som, 21 min.

Monstres ( rép.)
Jan Kopp
2003, DVD, cor, som, 60 min.

Consideramos geralmente que estamos mais adaptados a executar certos movimentos e que temos uma capacidade evidente para realizar certos actos (produzir palavras, por exemplo). Estes artistas procuraram saber até que ponto poderiam chegar essas possibilidades físicas e mentais, retomando sob outras formas a questão recorrente de saber se o homem é um ser inacabado ou definitivamente cumprido no seu corpo e na sua linguagem.

Jacinto Lageira

Apoio : Institut Franco-Portugais 
Agradecimentos  Daniel Larrieu ; Fabienne Leclerc/Galerie in Situ, Paris ; Jan Kopp/Galerie Grégoire Maisonneuve, Paris; Luís Gigante ; Musée National d'Art Moderne - Centre Georges Pompidou, Paris ; Mme Van Dantzig/Lieurac Production, Paris

 

Seminário “Curating Performance” com RoseLee Goldberg

RoseLee Goldberg é historiadora de arte especializada em performance. É fundadora, directora e comissária da Bienal PERFORMA, professora na Universidade de Nova Iorque e autora de uma vasta obra dedicada à performance, onde se destacam as obras Laurie Anderson (Nova Iorque, Thames & Hudson, 2000)e Performance Art: From Futurism to the Present (Nova Iorque, Thames & Hudson, 1998 e 2001).

 

Margem Atlântica
Realização: Ariel de Bigault
2005, 55’
Com: Mariza, José Eduardo Agualusa, Amélia Muge, João Afonso, Zézé e Miguel Hurst, Kalaf, Space Boys, Ângelo Torres, António Pedro Cerdeira, Kika Santos, Tito Paris, Jon Luz e Bullet.
Estreia Mundial

Este filme conjuga diversas facetas de um movimento artístico e cultural, moderno e mestiço, que percorre Lisboa. A capital portuguesa é espaço de uma singular alquimia humana e criativa que, enraizada na Lusofonia, ultrapassa referências e classificações.
Autores, actores e músicos, guiam-nos por um percurso lisboeta, real e poético, um autêntico roteiro de situações e diálogos, textos e músicas, encenações e imagens.