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LA CARROZZA D’ORO / THE GOLDEN COACH - A Comédia e a Vida
de Jean Renoir
França - Itália, 1952 côr, 100 min
Com Anna Magnani, Dunca Lamont, Odoardo Spadaro,
Jean Debucourt, Riccardo Rioli ......................................................... ...
O “Abre-te Sésamo” de toda a obra de Renoir. Os seus dois polos comuns, a Arte e a Natureza, a Comédia e a Vida funcionam como dois espelhos que reenviam um ao outro as suas imagens indefinidamente até apagar tudo o que separa as duas zonas de influencias. Eric Rohmer.

LES MAÎTRES FOUS
de Jean Rouch
França, 1954 côr, 28 min

ACTO DA PRIMAVERA  
de Manoel de Oliveira
Portugal, 1962, côr, 86 min
Com os habitantes da aldeia da Curalha .................................................
Esta sessão aproxima dois filmes realizados em torno do sagrado e da representação. Les Maîtres Fous mostra uma cerimónia de possessão, mas também tudo aquilo que a antecede e que se lhe segue, a vida de cada um dos “possuídos”. O filme de Oliveira, que fixa uma representação da Paixão de Cristo numa aldeia de Trás-os-Montes, também mostra, de modo magistral, a imperceptível passagem do quotidiano à representação do sagrado e o regresso ao quotidiano. Dois filmes em que ritual e teatro de certa forma se confundem.
Com a presença de Manuel de Oliveira

OS CANIBAIS
De Manoel de Oliveira
Portugal, 1988, cor, 84 min.
Com Luís Cintra, Leonor Silveira, Diogo Dória

Este Filme-ópera  é dos mais livres e originais de toda a obra de Oliveira. É um filme atravessado de uma ponta a outra por um dos temas obsessivos do realizador. Representação que passa de um tom macabro ao de um Carnaval.

LA DIRECTION D’ACTEURS PAR JEAN RENOIR
de Gisèle Braunberger
França, 1968, côr, 22 min.
Com Jean Renoir e Gisèle Braunberger

FRENCH CANCAN
de Jean Renoir
França, 1955, côr, 92 min.
Com Françoise Arnoul, Jean Gabin, Maria Félix, Gianni Esposito

Renoir reencontra o seu velho cúmplice Jean Gabin, vedeta de diversos filmes seus nos anos 30, que tem aqui um magnífico papel de maturidade, o de um empresário em fim de carreira, convencido que só o espectáculo permite chegar à “verdadeira vida”. A abrir a sessão, uma curta-metragem pouco vista, que é uma autêntica sessão de trabalho de Renoir com uma jovem aspirante a actriz.
Apresentação de Pedro Costa

OHAYO - Bom Dia 
de Yasujiro Ozu
Japão, 1959, côr, 94 min
Com Keiji Sata, Yoshiko Kuga, Koji Shigaraki, Masahiko Shimazu

Dois garotos fazem uma greve de silêncio para protestarem contra o facto dos pais se recusarem a comprar uma televisão. A realização de Ozu, como sempre rigorosa e perfeita, tece um filme que, ao invés de mostrar o fim de uma vida ou de uma família, mostra uma continuidade, a aceitação da mudança.
Apresentado por Pedro Costa


FREAKS - A Parada dos Monstros 
de Tod Browning
E.U.A. 1933, P&B, 64 min.
Com Olga Baclanova, Wallace Ford, Harry Earles, Leila Hyams

Um dos filmes mais míticos da história do cinema, uma história de amor e vingança, situada num circo e povoada por autênticas criaturas “monstruosas”: siamesas, troncos humanos, liliputianos. Mas o filme também é uma parábola sobre a aparência e a substância, o corpo e a alma.

THE UNKNOWN - O Homem sem Braços 
de Tod Browning
E.U.A. 1927, P&B, 60 min.
Com Lon Chaney, Joan Crawford

Mudo, com intertítulos em inglês e legendas em português com música ao vivo
Mais um filme que Browning, o “príncipe do bizarro”, situou num circo, concebendo a história mais perversa que se possa imaginar: um homem que amputa os braços, convencido que é a sua força física que afasta dele a bailarina do circo.


HENRI MATISSE
de François Campaux
França, 1946, 26 min.
Com Henry Matisse

Este filme é habitado pela presença de Matisse a trabalhar. Vê-se o nascer de um traço, o roçar de um pincel  que hesita a fazê-lo, depois a imediata soberania da linha…

UTAMARO O MEGURU GONIN NO ONNA
Cinco Mulheres à Volta de Utamaro

de Kenji Mizoguchi
Japão, 1946 P&B, 92 min.
Com Minosuke Bandô, Kinuyo Tanaka, Kôtarô Bandô, Toshiko Lizuka, Hiroko Kawasaki, Eiko Ohara, Shôtarô Nakamura, Kyoko Kusojima...

Este é um dos filmes mais singulares de Mizoguchi, se não for mesmo o mais singular e o mais surpreendente. (…) Nunca aquilo que no filme se define como “a essência da mulher”
(e que seria a busca e a finalidade da pintura de Utamaro) tanto se confundiu, ou fundiu, com a materialidade da mulher, com os próprios corpos e a própria pele destas.
João Bénard da Costa

SCÉNARIO DU FILM PASSION
de Jean-Luc Godard
França / Suiça, 1982, côr, 54 min.

"Não quis escrever o argumento de Passion, quis vê-lo. O mundo que Passion descreve, primeiro era preciso vê-lo, ver se ele existia para poder filmá-lo." Jean-Luc Godard

PASSION Paixão
de Jean-Luc Godard
França, 1982, côr, 87 min.
Com Isabelle Huppert, Hanna Schygulla, Michel Picoli, Jerzy Radziwilowicz, Laszlo Szabo, Jean-François Stévenin

Em Passion são mostrados quadros a fazer-se e a desfazer-se (Ingres, Delacroix, Rembrandt, Goya). Por intermédio do personagem de Jerzy, Godard refaz telas famosas, explora-as, desmonta-as, experimenta variantes, combina-as entre elas.


O NOSSO CASO
Série de seis videogramas resultantes duma investigação sobre a cinematografia portuguesa do último quartel do século XX.
Livro 1 - Génese (63’);
Livro 2 - A Terra Prometida (45’);
Livro 3 - Jonas (53’)
Livro 4 - O Bezerro de ouro (50’)
Livro 5 - O Massacre dos inocentes (59’)


MARGINÁLIA
As margens do RIO DO OURO: uma reflexão sobre o trabalho de Paulo Rocha. Ao cabo da três meses de "filmagem das filmagens", quatro videogramas que exploram as margens do Rio do Ouro
1. Preâmbulo
2. Dedicatória
3. Rodapé
4. Índice  


NOTES ON THE CIRCUS
de Jonas Mekas
E.U.A., 1966, côr 12 min.
“Neste filme não se vê como é que as acrobacias eras realizadas. Não me interessava mostrar isso. A minha pulsão estava na côr e no movimento. A câmara é um pouco como o pincel do pintor, um prolongamento da mão”.Jonas Mekas

PARADE
de Jacques Tati
Suécia / França, 1974, côr, 84 min.
Com Jacques Tati, Bertil Berglund, Bertilo, Michèle Brabo, Pierre Bramma, Janne ‘Loffe’ Carisson, Pia Colombo, Karf Kossmayer, Johnny Lonn, Monifa Sunnerberg...

O último, pouco visto e muito pouco reconhecido filme de Jacques Tati. Tati troca a personagem de Mr.Hulot pela de Mr.Loyal, um artista de circo. Parade foi filmado com pouco meio menos com um homenagem ao mundo do circo do que uma celebração d seu ambiante.

HE WHO GETS SLAPPED - O Palhaço
Victor Seastrom (Victor Sjöström)
E.U.A., 1924, P&B, 80 min.
Com Lon Chaney, Norma Shearer, John Gilbert, Tully Marshall,
Marc McDermott, Ruth King, Ford Sterling, Harvey Clarke, Paulette Duval...

Várias vezes, em peças, óperas e filmes célebres, o circo tem sido utilizado como metáfora do inferno e o riso do palhaço como contraponto às lágrimas que não pode chorar. Aqui, o melodramatismo da imagem literária desaparece por completo e o que nos é dado a ver é uma alucinação metafísica, como se o professor expiasse no inferno culpas que não teve ou como se, masoquisticamente, quisesse prolongar, por toda a eternidade, a noite fatal em que tudo perdeu. J. Bénard da Costa

HUBERT ROBERT, A FORTUNATE LIFE
de Aleksandr Sokurov
Russia, 1996, côr, 26 min.
"…Ruinas de mansões  ou palácios, castelos,  pontes, antigas abóbadas aparecem uma a uma frente aos meus olhos, como sonhos; paisagens fantomáticas com cinzentas árvores…" Alexander Sokurov

PAINTERS PAINTING
de Emile de António
E.U.A., 1972, côr, 116 min.
Com Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Willem de Kooning...

Painters Painting é um retrato colectivo de figuras lendárias que dinamizaram o tumultuoso palco da cena artística de Nova Iorque do pós-guerra, com Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Willem de Kooning…

LOUIS LUMIÈRE
de Eric Rohmer
França, 1966, P&B, 66 min.
Com Jean Renoir e Henri Langlois.

Diante da câmara quem está são unicamente os filmes de Lumière e os convidados para falar de Lumière: Renoir e Langlois, o homem que guardou a memória do cinema, o homem graças ao qual é possível hoje vermos filmes de Lumière.(…) O que é o cinema? Isto. Este filme, Lumière. É dele (ou dela) que todos somos filhos. A nossa história é esta, a nossa vida é esta. João Bénard da Costa

JLG/JLG- AUTOPORTRAIT DE DÉCEMBRE
JLG por JLG

de Jean-Luc Godard
França, 1994, côr, 54 min.
Com Jean-Luc Godard, Geneviève Pasquier, Denis Jadot, Brigitte Bastien, Elisabeth Kaza, André Labarthe, Louir Séguin, Bernard Eisenschitz...

JLG/JLG é simultaneamente um requiem e um canto de esperança, como se partisse da convicção de que se a “entidade-cinema” morreu, aquilo que é da ordem do cinema continua vivo e em permanente renascimento. Neste sentido, JLG/JLG é um filme exemplar na demonstração dessa vitalidade esquecida: exaltante na maneira como manipula as formas cinematográficas, como consegue criar “emoções” a partir da simples articulação de um plano com o som e com a música. JLG/JLG podia acabar com uma legenda a dizer: “o cinema é isto”. Ou seja, este breve murmúrio que de tempos a tempos nos vem sacudir e virar do avesso, com a violência de todas as paixões. ..... Luís Miguel Oliveira

OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUI? - Onde jaz o teu sorriso?
de Pedro Costa
França / Portugal, 2001, côr, 104 min.
Com Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

No momento da montagem da terceira versão de Sicilia! por Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Pedro Costa rodou uma comédia de remontagem. Por tràs da sua paciência au travail, terna e violenta, os dois cineastas desvelam uma certa ideia do cinema, do seu cinema, do seu casal, tout court.

SICILIA!
de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet ................................................ França / Itália, 1999, P&B, 64 min.
Com Gianni Buscarino, Vittorio Vigneri, Angela Nugara, Carmelo Maddio, Ignazio Trombello, Simone Nucatola, Giovanni Interlandi, Giuseppe Bonta, Mario Baschieri.

Inspirado no romance de Elio Vittorini Conversazione in Sicilia, o filme foi precedido por uma montagem teatral e por um trabalho aprofundado com os actores, que eram amadores. "Nos filmes de Straub e Huillet é enorme o peso de cada plano, cada imagem, cada som, sempre levados a um ponto de incandescência". António Rodrigues


L'AUTOMNE
de Marcel Hanoun
França, 1971, P&B e côr, 70 min
Com Michael Lonsdale, Tamia

Sentados na mesa de montagem, um cineasta e a montadora observam sobre o pequeno écran a película que estão a montar. Hanoun joga com a passagem do preto e branco à côr, com as relações  som-imagem e sobretudo  com o corte realizador/ espectador. Todos os filmes assentam na invisibilidade do realizador e do espectador um pelo outro. Passamos aqui, pelo contrário, uma hora e meia a olhar um cineasta que nos olha a nós.

WE CAN'T GO HOME AGAIN
de Nicholas Ray
E.U.A., 1971 - 1980, côr, 93 min.
Com Nicholas Ray, Leslie Levinson, Denny Fischer, Tom Farrell...

Este filme é único: um cineasta desintegra e reconstitui o que fazia a própria matéria do seu filme. O écran está povoado de imagens mais pequenas que vibram, coexistem, chocam-se. Gritos e confissões flutuam sobre um fundo negro mas esse fundo negro é por vezes a sombra de uma casa, com um telhado, tal como os desenham as crianças. Já não é uma casa para as personagens, mas uma casa para as imagens “ que já não têm casa”: o cinema. Já não podemos voltar para casa… Serge Daney

THE CONNECTION
de Shirley Clarke
E.U.A., 1961, P&B, 98 min.
Com Warren Finnerty, Gary Goodrow, Jerome Raphael, Jim Anderson, Carl Lee, Barbara Winchester, Roscoe Browne, Henry Proach...

Poderíamos dizer: é um filme sobre um realizador de documentários que paga a droga a um grupo de jazz de New York para que o grupo se deixe filmar. E se disséssemos, em vez disso, que se trata de um filme sobre um grupo de jazz que, pelo contrário, se deixaria “vender” por sentir o abismo da câmara, a tentação de se tornar espectáculo? Cyril Neyrat

JAIME
de António Reis ................................................................................ Portugal, 1974, côr, 34 min.
Um dos mais belos filmes da história do cinema ou, se preferem: uma etapa decisiva e original do cinema moderno. João César Monteiro

MA FEMME CHAMADA BICHO
de José Alvaro Morais
Portugal, 1976, côr, 80 min.
Uma aproximação à criatividade, paixão e vida comum dos pintores Szènes e Vieira da Silva


DIEU SAIT QUOI
de Jean-Daniel Pollet
França, 1993, côr, 88 min. baseado na obra de Francis Ponge
Pollet é o único que conseguiu elevar o cinema, na sua relação com as coisas, ao nível de presença e de verdade que Ponge atingiu com a escrita. [...] O esforço de Pollet visa atingir e restituir a sensação da coisa ou do acontecimento. Sentir o efeito no nosso corpo do sol ou da chuva, sentir a dureza de um seixo e a fluidez da água, sentir na nossa carne o deslizar húmido do caracol na terra que ele “beija com todo o corpo”. Cyril Neyrat

CONVERSA ACABADA
de João Botelho ............................................................................... Portugal, 1980, côr, 104 min.
Com Fernando Cabral Martins, André Gomes, Jorge Silva Melo, Juliet Berto, Manoel de Oliveira, Elsa Wellemkamp, Luís Pacheco, Rogério Vieira, Helena Afonso, Nuno Vieira de Almeida...

Os destinos alternados de Mário de Sá Carneiro e de Fernando Pessoa. “ Conversa Acabada organiza-se como um documentário sobre poesia que progride e se resolve em drama poético” João Botelho.

BORIETS I KLOOUN - O Lutador e o Palhaço
de Boris Barnet
URSS, 1957, côr, 100 min.
Com S. Tchekan, A. Toptchiev, A. Soloviov, B.Petker, I. Arepina, G. Vitsiner, K. Ichatova, G. Abrikossov, L. Toptchiev, G. Chpiguel

O ponto de partida é uma série de episódios que interligam as vidas de duas personalidades de grande prestígio no espectáculo e desporto da antiga Rússia: o lutador tinha o título mundial da sua modalidade e o clown tornou-se um dos mais famosos da história do circo. Manuel Cintra Ferreira

THE BAND WAGON-A roda da fortuna
de Vicente Minnelli
E.U. A., 1953, côr, 112 min.
Com Fred Astaire, Cyd Charisse, Oscar Levant, Nanette Fabray, Jack Buchanan, James Mutchell, Robert Gist, Thurston Hall, Ava Gardner.
   
O apogeu de um tipo de comédia musical, a que mostra a preparação de um espectáculo. Os números dançados do filme passaram para a lenda do género e o último ballet é um dos mais célebres excertos da comédia musical de Holywood.