NO ECRÃ // PROJECÇÕES

 

O CINEMA À VOLTA DE CINCO ARTES – CINCO ARTES À VOLTA DO CINEMA // CINEMATOGRAFIA - CINEMATOGRAFIA 2
CINEMATECA PORTUGUESA | 4 > 12 NOV

Still do Filme de Jean Epstein - Coeur Fidèle
// 4 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// LE COEUR ET L’ARGENT de Louis Feuillade e Léonce Perret
com Suzanne Grandais, Renée Carl, Raymond Lyon
França, 1912 - 15 min / mudo, intertítulos em francês, traduzidos eletronicamente em português

// DOROGOY CENOY [O Cavalo que Chora] de Mark Donskoi
com Vera Donskaya, Yuri Dedovich, Ivan Tverdokhlkeb
URSS, 1957 - 98 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 113 minutos | M/12
sessão apresentada por Bernard Einsenschitz e Miguel Marias

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Ao lado de QUANDO PASSAM AS CEGONHAS, de Mikhail Kalatozov, “O CAVALO QUE CHORA” foi um dos filmes marcantes do “degelo” soviético da era Kruschev. Realizado por Mark Donskoi, que se fi zera notar sobretudo pela chamada “Trilogia de Gorki” em fi ns dos anos 30. “O CAVALO QUE CHORA” é um drama romântico situado em 1830: dois servos ucranianos que se amam são separados pelo seu senhor, que casa a mulher com outro homem e manda o seu amado para a tropa. Mas ela foge e o par esconde-se, com a ajuda de um grupo de ciganos. A abrir a sessão, um breve e poderoso melodrama correalizado por Louis Feuillade e Léonce Perret, duas das mais fortes personalidades do cinema francês do período, com destaque para o uso, então insólito, da tela dividida ao meio (split screen).


// 5 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// HÄXAN O HÄXAN [A Feitiçaria Através dos Tempos] de Benjamin Christensen
com Benjamin Christensen, Emmy Schönfeld, Alice Fredericksen
Suécia, 1921 – 106 min / mudo, intertítulos em sueco, traduzidos eletronicamente em português | M/12
sessão apresentada por Marcos Uzal

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Depois de realizar melodramas e fi lmes policiais no seu país natal, o dinamarquês Benjamin Christensen realizou na Suécia este fi lme que garantiu a perenidade do seu nome na História do Cinema. Ilustrando diversos casos de feitiçaria (uma mulher frustrada que tem relações sexuais com o demónio, uma velha acusada de feitiçaria) e inspirando-se nos mestres da pintura alemã e flamenga do século XVI, Christensen assinou uma extraordinária obra-prima, que também pode ser vista como um requisitório contra o puritanismo e a intolerância. Um dos pontos altos do cinema mudo.

 

// 5 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// LA CROISSANCE DES VÉGÉTAUX de Jean Comandon
França, 1929 – 12 min

// DR. JEKYLL AND MR. HYDE [O Médico e o Monstro] de Rouben Mamoulian
com Fredric March, Miriam Hopkins, Rose Hobart.
Estados Unidos, 1932 – 82 min / legendado em português

duração total da sessão: 94 minutos | M/12

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Esta versão de DR. JEKYLL AND MR. HYDE é um importante momento da história do cinema, pelo que revela da maestria de Mamoulian e dos seus contributos para a linguagem cinematográfica nos anos de adaptação ao som, representando a súmula das experiências feitas nos seus fi lmes anteriores. Por muitos tido como a melhor das adaptações do romance de Robert Louis Stevenson, destaca-se também pela carga erótica que o percorre, com Miriam Hopkins no papel da prostituta. A abrir a sessão, um fi lme científi co de Jean Comandon, médico francês que inventou a micro-fotografi a e foi um dos primeiros a utilizar o cinema com objetivos científicos.

 

// 6 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// COEUR FIDÈLE de Jean Epstein
com Léon Mathot, Gina Manès, Edmon van Daële
França, 1923 - 85 min / mudo, intertítulos em francês, traduzidos eletronicamente em português | M/12

sessão apresentada por Florent Guézengar

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Ligado ao documentário e à vanguarda dos anos 20, autor de brilhantes textos teóricos, Jean Epstein (1897-1953) foi uma das personalidades mais singulares e talentosas da sua geração no cinema francês. COEUR FIDÈLE, a sua segunda longa-metragem, é considerado uma das suas obras-primas. A trama narrativa mostra a rivalidade, nos meios populares de Marselha, entre um honesto trabalhador e um mauvais garçon, interessados pela mesma mulher. A montagem, o sentido do ritmo cinematográfico, faz deste filme um dos pontos culminantes do que à época se chamou o impressionismo no cinema, a capacidade de narrar de forma oblíqua, num verdadeiro contraponto de imagens.

 

// 6 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// A VINGANÇA DE UMA MULHER de Rita Azevedo Gomes
com Rita Durão, Fernando Rodrigues, Hugo Tourita
Portugal, 2012 – 100 min | M/12

sessão apresentada por Rita Azevedo Gomes

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Sétimo filme e quarta longa-metragem de ficção de Rita Azevedo Gomes, apresentado em vários festivais (Edimburgo, Viennale, Buenos Aires, entre outros), A VINGANÇA DE UMA MULHER adapta o conto homónimo de Barbey d’Aurevilly, no qual uma mulher decide vingar-se do seu marido, que matara o seu amante. Esta vingança terá uma forma terrível, da qual ela própria será vítima. Com fotografi a de Acácio de Almeida e magnífico desempenho de Rita Durão no papel principal, A VINGANÇA DE UMA MULHER tem uma mise en scène rigorosa e totalmente dominada.

 

// 7 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// HAND HELD DAY de Gary Beydler
Estados Unidos, 1974 – 6 min / sem diálogos

// VAMPYR de Carl Th. Dreyer
com Julian West, Maurice Schultz, Sybille Schmitz
França, Alemanha, 1930 – 65 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 71 minutos | M/12
sessão apresentada por Florent Guézengar

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Longe das mitologias habituais dos filmes de vampiros, VAMPYR é “um filme de terror banhado numa claridade puríssima. Um fi lme sonoro que reinventa a noção de cinema mudo”, como escreveu Edgardo Cozarinsky sobre esta obraprima de Carl Th. Dreyer, poema de morte e ressurreição pela luz do cinema, inspirado na novela Carmilla de Sheridan le Fanu. VAMPYR é um dos pontos culminantes da arte de um dos maiores realizadores de sempre. A abrir a sessão, HAND HELD DAY, de Gary Beydler, feito num plano único durante 14 horas, numa estrada do Arizona, da alvorada ao crepúsculo.

 

// 7 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// LA VIE APRÈS LA MORT de Pierre Creton
França 2002 - 23 min / legendado eletronicamente em português

// L’HEURE DU BERGER de Pierre Creton
França 2008 – 40 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 63 minutos | M/12
sessão apresentada por Cyril Neyrat

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Formado pela Escola de Belas-Artes do Havre e trabalhador agrícola, Pierre Creton é autor de uma obra extremamente coerente. Os dois fi lmes que apresentamos formam um díptico à volta da fi gura de Jean Lambert, um amigo do realizador, muito mais velho do que ele. Em LA VIE APRÈS LA MORT vemos os dois amigos que leem em voz alta trechos de livros, ouvem discos e esperam uma coisa: a morte de Lambert. Em L’HEURE DU BERGER, realizado alguns anos depois desta morte, Creton retoma o material do primeiro fi lme, num trabalho de luto, que também é uma meditação: “um certo tipo de vida quotidiana (horas fixas, as mesmas pessoas, formas e lugares da piedade) fazia nascer pensamentos sobrenaturais”.

 

// 8 NOV _ 15h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// HERR ARNES PENGAR [O Tesouro de Arne] de Mauritz Stiller
com Mary Johnson, Richard Lund, Hjamer Selander
Suécia, 1919 – 100 min / mudo, intertítulos em sueco, traduzidos em português | M/12

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Uma obra-prima, baseada num conto de Selma Lagerlöff, que mostra a que nível artístico o cinema chegara na década de 10. “O TESOURO DE ARNE” tem por cenário a Suécia na Idade Média, contando a história de três evadidos que matam um fazendeiro para se apoderarem de um tesouro e fi cam com a fuga cortada pela neve. Inesquecível presença feminina de Mary Johnson e imagens deslumbrantes onde se destacam as cenas do desfile fúnebre final.

 

// 8 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// DISHONORED [Fatalidade] de Josef von Sternberg
com Marlene Dietrich, Victor McLaglen, Lew Cody, Warner Oland, Gustav von Seyffertitz
Estados Unidos, 1931 – 91 min / legendado em português | M/12

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No “duelo” que as duas divas dos anos 30, Marlene e Greta Garbo, travaram por imposição dos estúdios (Paramount e MGM, respetivamente), DISHONORED é uma resposta a MATA HARI, interpretada pela segunda. E é imensamente superior, não só pela qualidade da encenação de Sternberg, naquele que talvez seja o seu filme mais venenoso e fetichista, como pela imagem transmitida por Marlene Dietrich, de um erotismo inultrapassável, na figura de uma espia (Agente X27) que se deixa matar por amor durante a primeira grande guerra. A cena do fuzilamento é uma das mais provocantes do cinema americano antes do código da censura.

 

// 8 NOV _ 19h30 // SALA LUÍS DE PINA

// CONEY ISLAND AT NIGHT de Edwin S. Porter
Estados Unidos, 1905 – 4 min / sem intertítulos

// ROMANCE OF RADIUM de Jacques Tourneur
Estados Unidos, 1937 – 10 min / legendado eletronicamente em português

// 7 FAUX RACCORDS de Raul Ruiz
com Henri Alekan, Olímpia Carisi, Raul Ruiz
França, 1984 – 60 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 74 minutos | M/12
sessão apresentada por Bernard Eisenschitz

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Este programa, que vai dos primórdios do cinema aos anos 80, é organizado à volta da luz. CONEY ISLAND AT NIGHT, do pioneiro Edwin S. Porter (realizador do celebérrimo THE GREAT TRAIN ROBBERY) está resumido no seu título. Realizado para a conhecida e ambiciosa séria da televisão francesa CINÉMA CINÉMAS, o filme de Raul Ruiz consiste numa aula sobre a luz no cinema, dada pela grande diretor de fotografi a Henri Alekan, a quem Ruiz pediu que fizesse sete cenas com uma atriz. Entremeado neste programa, uma curta-metragem didática de Jacques Tourneur sobre a descoberta do rádio por Pierre e Marie Curie.

 

// 8 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// L’ATALANTE [O Atalante] de Jean Vigo
com Jean Dasté, Dita Parlo, Michel Simon
França, 1934 - 89 min / legendado em português | M/12

sessão apresentada por Bernard Eisenschitz

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A única longa-metragem de Jean Vigo. Um filme libérrimo, que sintetizou todas as buscas estéticas do cinema francês de começos da década de 30, segundo palavras de Henri Langlois. Doente, Vigo não pôde controlar a montagem e o filme foi massacrado pela Gaumont, sendo distribuído como LE CHALAND QUI PASSE (título de uma canção de sucesso, que foi inserida arbitrariamente no filme). Só nos anos 90 se chegou a uma versão (contestadíssima) de L’ATALANTE de que se disse seguir as intenções do cineasta. Jean Dasté, Dita Parlo e Michel Simon conquistam a eternidade cinematográfica nesta obra incomparável.

 

// 8 NOV _ 22h00 // SALA LUÍS DE PINA

// DEMOLISHING AND BUILDING UP THE STAR THEATRE de Frederick Armitage
Estados Unidos, 1902 – 3 min

// QUELQUES REMARQUES SUR LA RÉALISATION ET LA PRODUCTION DU FILM SAUVE QUI PEUT (LA VIE) de Jean-Luc Godard
Suíça, 1979 – 10 min / legendado eletronicamente em português

// KÖRKARLEN [O Carro Fantasma] de Victor Sjöström
com Victor Sjöström, Hilda Borgstrom, Tore Svenberg, Astrid Hohn
Suécia, 1921 – 106 min / mudo, intertítulos em sueco, traduzidos eletronicamente em português

duração total da sessão: 119 minutos | M/16
sessão apresentada por Bernard Eisenschitz, Marcos Uzal

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Adaptação do famoso romance de Selma Lagerloff, KÖRKARLEN é um dos fi lmes mais famosos de Victor Sjöström (principalmente pelos efeitos especiais), incursão no fantástico sobre a lenda da “carroça da Morte” e do seu condutor: o ser que morre à última badalada da noite de São Silvestre. A obra-prima de Sjöström é um dos grandes clássicos do mudo. A abrir a sessão, DEMOLISHING… capta a demolição de um cinema nas suas diversas etapas, seguido de um trabalho em que Jean-Luc Godard refl ete sobre o fi lme que trouxe de volta ao circuito comercial do cinema, SAUVE QUI PEUT (LA VIE).

 

// 10 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// SABOTEUR [Sabotagem] de Alfred Hitchcock
com Robert Cummings, Priscilla Lane, Otto Kruger
Estados Unidos, 1942 – 100 minutos / legendado eletronicamente em português | M/12

sessão apresentada por Florent Guézengar

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Realizado em plena Segunda Guerra Mundial, SABOTEUR é um filme de espionagem, em que um trabalhador de uma fábrica de armamento é falsamente acusado de ser responsável por um incêndio e acaba às voltas com uma organização que trabalha para a Alemanha nazi. Toda a mestria de Hitchcock se encontra neste filme que antecipa NORTH BY NORTHWEST: o suspense, o MacGuffin e uma espetacular sequência no desenlace, na Estátua da Liberdade. Por incrível que pareça, a ultra-hitchcockiana Cinemateca Portuguesa não programava este filme há mais de trinta anos!

 

// 10 NOV _ 21h30 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// LE RÊVE DU RADJAH OU LA FORÊT ENCHANTÉE de Georges Méliès
França, 1900 – 3 min / sem intertítulos

// SHERLOCK JR. [Sherlock Holmes Jr.] de Buster Keaton
com Buster Keaton, Kathryn McGuire, Ward Crane
Estados Unidos, 1924 - 50 min / mudo, intertítulos em inglês, traduzidos em espanhol | M/12

duração total da sessão: 53 minutos | M/12
sessão apresentada por Florent Guézegar

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SHERLOCK JR. é um dos momentos maiores da obra do cómico impassível, Buster Keaton, na figura de um candidato a detetive inspirado nas aventuras do popular herói criado por Conan Doyle. Mas este genial fi lme burlesco é também uma refl exão sobre a magia do cinema, com a personagem de Keaton sofrendo, numa tela, todos os «acidentes» provocados pelas mudanças de planos. A abrir a sessão, uma das mais conhecidas féeries de Georges Méliès, em que um sultão luta com uma árvore, que se transforma num demónio, até que ele percebe que estava a sonhar.

 

// 11 NOV _ 19h30 // SALA LUÍS DE PINA

// RAINBOW DANCE de Len Lye
Grã-Bretanha, 1936 – 4 min / sem intertítulos

// HALLELUJAH, THE HILLS! de Adolfas Mekas
com Peter Beard, Martin Greenbaum, Sheila Finn, Peggy Steffans
Estados Unidos, 1963 – 85 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 89 minutos | M/12

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HALLELUJAH THE HILLS! é uma comédia e um clássico do cinema nova-iorquino de inícios dos anos 60. Dois amigos, diferentes em tudo, decidem ir para as florestas do Vermont, numa tentativa de aplacar a obsessão que sentem pela mesma mulher (personificada por duas atrizes diferentes), que os deixou. Segue-se uma série de situações extravagantes, num tom que oscila entre o nonsense do cinema americano burlesco e a rapidez de certos filmes da Nouvelle Vague. A abrir a sessão, RAINBOW DANCE, filme de publicidade sobre as cadernetas de poupança dos correios, um dos clássicos de Len Lye, que foi o primeiro cineasta de animação a desenhar diretamente sobre a película.

 

// 11 NOV _ 22h00 // SALA LUÍS DE PINA

// AUTOUR DE LA FIN DU MONDE de Eugène Deslaw
com a presença de Abel Gance
França, 1930 – 15 min / legendado eletronicamente em português

// LA FABRIQUE DE CONTE D’ÉTÉ de Jean-André Fieschi e Françoise Etchegarray
com as presenças de Eric Rohmer, Melvil Poupaud, Amanda Langlet
França, 2005 – 93 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão:108 minutos | M/12
sessão apresentada por Marcos Uzal

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Um programa com dois fi lmes sobre o cinema, mais exatamente sobre dois filmes específi cos de dois cineastas franceses que tudo separa: o enfático e ingénuo Abel Gance, o refinado e ultracerebral Eric Rohmer. Eugène Deslaw capta, como diz o título, o que está à volta de LA FIN DU MONDE, obra de ficção científica de Gance, na qual antes que um cometa venha destruir a Terra um cientista consegue proclamar uma República Universal… Jean-André Fieschi, que foi uma das grandes assinaturas dos Cahiers du Cinéma nos anos 60 e realizou o clássico PASOLINI L’ENRAGÉ, aborda o trabalho de Rohmer no terceiro dos seus CONTOS DAS QUATRO ESTAÇÕES, num período em que o realizador mostrava personagens cada vez menos sofisticados, através de um sistema de cinema extremamente elaborado e pessoal, ultrassofisticado sob a sua aparente simplicidade.

 

// 12 NOV _ 19h00 // SALA DR. FELIX RIBEIRO

// REMAINS de Pierre Léon
França, 2014 – 20 min / legendado eletronicamente em português

// EL SUR de Victor Erice
com Omero Antonutti, Sonsoles Aranguren, Iciar Bollain, Lola Cardona, Rafaela Aparicio
Espanha, França, 1983 – 95 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 115 minutos | M/12

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EL SUR é a segunda das três longas-metragens realizadas até hoje por Victor Erice. O filme é visto através do olhar de uma menina que se defronta com os mistérios da vida que vai descobrindo e se lhe vão revelando até ser uma adolescente e deixar o espaço em que quase sempre permaneceu, partindo para o Sul. Sul que já não veremos, porque Erice viu-se impossibilitado de concluir o filme como desejaria por problemas de produção. O filme mais “clássico” do mais “cinéfilo” dos cineastas espanhóis modernos. A abrir a sessão, o filme mais recente de Pierre Léon, inspirado em Fritz Lang e Richard Wagner, segundo o realizador, um devaneio que nos leva a um mundo subterrâneo, com deuses e monstros.

 

 

 

Como em 2013, este ano a programação cinematográfica do Festival Temps d’Images, gira à volta do próprio cinema, e foi concebida por Pierre-Marie Goulet, Teresa Garcia, Ricardo Matos Cabo, Bernard Eisenschitz, com contribuições de Marcos Uzal, Cyril Neyrat e a colaboração da Cinemateca. E como é costume nesta programação, cada sessão aproxima filmes de épocas, e eventualmente de estilos, muito diferentes, estabelecendo paralelos, evidentes ou secretos. Poderemos assim rever grandes clássicos de Dreyer, Christensen, Stiller, Sjöström, Hitchcock, Sternberg, Mamoulian, Epstein, Vigo, Keaton, ao lado de obras de grandes nomes da vanguarda, de momentos dos primórdios do cinema, de filmes feitos diretamente sobre o cinema (sobre Abel Gance, Eric Rohmer ou Henri Alekan) e de trabalhos de autores tão diferentes quanto Pierre Creton e Rita Azevedo Gomes, num panorama que vem lembrar ao espectador que um filme nunca é uma obra inteiramente isolada, existe sempre em relação a outros filmes.