// WARM UP

LESLIE THORNTON // OLHAR DIA, APÓS DIA, APÓS DIA
MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA - MUSEU DO CHIADO | 15 OUT > 16 NOV
Terça a domingo das 10h00 às 18h00 // Entrada Livre

// LET ME COUNT THE WAYS: MINUS 10, MINUS 9, MINUS 8, AND MINUS 7 (2004)
20 min, color, sound
  Let Me Count the Ways... inaugura a nova série de trabalhos de Thornton. Como na sua recentemente completa série Peggy and Fred, Thornton explora os efeitos sociais das novas tecnologias e meios de comunicação, mas aqui ela vai ainda mais para território autobiográfico para sugerir as formas em que todos estamos implicados nestas mudanças. Justapondo filmagens aéreas militares, dados científicos sobre mutação genética, o testemunho de áudio sobre o bombardeamento de Hiroshima, e um filme caseiro do seu pai, piloto da Força Aérea na II Guerra Mundial, quando foi enviado para essa cidade, Thornton cria uma densa e persuasiva meditação sobre a violência.
// LET ME COUNT THE WAYS: MINUS 6 (2006)
2 min, b&w, sound
  Minus 6 é o quinto de uma contínua série de vídeos intitulada Let Me Count the Ways.
Thornton escreve: "Eu estou interessada nos paralelos entre o uso calculado dos meios de comunicação por Hitler, a sua formação teatral, e a disposição cínica dos meios de comunicação de massas em travar actuais políticas e guerras. A imagem de Hitler causa sempre horror. Observá-lo a ensaiar para a câmara é arrepiante pois sabemos que é o que está a acontecer hoje. "

Os cinco filmes de Leslie Thornton da série Let Me Count The Ways, apresentados este ano no MNAC-MC, no âmbito do Festival Temps d’Images, constituem uma abordagem, sempre incompleta, sobre a violência e de forma mais ampla sobre a história do comportamento humano. Realizados em 2004, um ano após a invasão dos EUA do Iraque, a artista trabalha a memória e o passado como mecanismos de reavaliação do presente.
A artista tem utilizado como modelo de trabalho as séries fílmicas sobre determinado tema, muito embora estas nunca se completem, afirmando deste modo a cumplicidade entre a ideia e o seu processo criativo. As suas obras revelam uma aproximação ao próprio corpus da história, as suas contradições e cumplicidades.
No trabalho Let Me Count the Ways Minus 10,9,8,7, a artista aborda o momento histórico do lançamento da bomba de Hiroshima, que o próprio título evoca através de uma contagem decrescente, utilizando found footage, filmagens originais, dados históricos, testemunhos e texto. Em 4 capítulos fílmicos são evocadas memórias pessoais e testemunhos históricos sobre os efeitos colaterais do lançamento da bomba e do clima de Guerra Fria que se lhe seguiu.
Em Let Me Count The Ways 10, um filme doméstico, realizado nos arredores de Los Alamos, a cidade onde o projeto de fabrico das primeiras bombas atómicas foi iniciado e no qual o seu pai participou enquanto físico nuclear, é justaposto por um filme militar e por uma entrevista a uma sobrevivente (hibakusha) do ataque nuclear. Ambos os filmes são ligados pela palavra Dad (Pai) colocando o seu passado familiar no cerne de uma tragédia e um trauma históricos.
Minus 9 apresenta uma narrativa poética em que o testemunho é entrecortado pela representação de um elemento que sugere mutação, e Minus 8 e 7 são excertos de um documentário “The Growth of Plants”, interrompido por um texto que descreve as mutações genéticas e botânicas através da radiação.
Finalmente em Minus 6, as famosas imagens de estúdio de Hitler ensaiando a sua teatralidade discursiva, realizadas pelo seu fotógrafo oficial Heinrich Hoffmann, em 1927, são contrapostas a excertos de um discurso do líder do partido nazi, Herman Göring, apelando ao extremismo político.
Emília Tavares – Curadora do Museu Nacional de Arte Contemporânea